09
Fev 13

 

 

Caríssimo Amigo N...:

Logo pela manhã vi a sua resposta às minhas considerações e palavras lidas na "ALA - Academia de Letras e Artes”, aquando da minha Investidura, e quando a Direcção daquela instituição me quis honrar com essa apresentação em nome dos empossados.

Desta feita, caro Amigo (e exijo que me trato tão somente por Fernando, “tout court”) foi o meu ilustre antogonista que me quis honrar com as suas considerações acerca da “Verdade”. Entendi que a sua interpretação e comentário mereciam muito mais do que uma resposta lacónica. E seria impossível (e quem me conhece sabe que não resisto nunca a um desafio) não lhe responder nos moldes que o N... merece, ou seja, com a visão mais abrangente e filosófica acerca da palavra e as relatividades que acentuei no meu discurso.

É certo que eu apenas reproduzi uma pequeníssima parte da minha intervenção na ALA, o que pode causar uma ideia diferente da minha visão idealista e filosófica. E o N... – e muito bem – teceu as considerações que entendeu sobre as minhas palavras.

Eis as palavras que mereceram o seu inteligente comentário antagónico: “(...) o Artista e o Escritor são seres sempre angustiados na busca de uma Verdade e de uma Perfeição. Verdade e Perfeição que sendo conceitos algo indefinidos são, por isso mesmo, sujeitos à subjectividade das opiniões pessoais. Para o Artista e para o Escritor conta, essencialmente, a Sua Verdade; a que é procurada com ardor, mas muitas vezes com sofrimento e repleta de crises existenciais. Porque não há Verdades que não possam ser contestadas, não há certezas que não se revistam de dúvidas, não há Perfeição que não mereça libertação. (...)”.

O facto de me honrar com a sua discórdia, leva-me, necessariamente, a “armar-me” naquilo que não sou, ou seja, filósofo, e a valer-me dos que o sendo verdadeiramente me possam ajudar a explicar a relatividade do meu pensamento. Mas desde já lhe prometo, no caso de ser do seu interesse, que lhe facultarei cópia integral da minha intervenção na Academia.

Vejamos então o que poderá entender-se da minha observação acerca da “relatividade” da noção de Verdade.

Afinal, Deus existe? É uma Verdade insofismável?

Eis o início de tudo, pois quantos milhões de “seres superiores” colocam em causa a Sua existência?

Assim sendo, “Teorias da verdade” são teorias que fornecem uma definição de verdade para uma linguagem.

A controvérsia sobre as teorias da verdade tem recentemente sido colocada em três partes:

1) O que é verdadeiro? É uma crença, uma proposição, uma afirmação, ou uma frase?; 2) E a que corresponde: a um estado de coisas, a uma situação, a uma realidade, ou a um facto?; 3) E que relação é essa a que se chama correspondência entre o que é verdadeiro e o que o faz verdadeiro?

Precisamos de uma teoria acerca do que é verdade. A noção de verdade ocorre frequentemente nas nossas reflexões sobre a linguagem, o pensamento e a acção. Em princípio, a verdade é o objectivo genuíno da investigação científica. Tal coisa, a verdade, é mais escorregadia do que aquela ideia que nos faz crer que é a correspondência com a realidade. A realidade permanece obscura. Assim, estamos condenados a ter a “verdade” como uma das noções mais enigmáticas. Uma teoria explícita da verdade é essencial, e estudos recentes parecem ser animadores. Todavia, pode, muito bem, estar fora do nosso alcance.

Há várias perguntas filosoficamente relevantes que se pode fazer a respeito da verdade, e há mais de uma resposta a cada uma delas na história da filosofia, embora algumas predominem. As principais questões são:

Pergunta metafísica: O que é (no que consiste) a verdade? Essa pergunta tem uma versão mais tradicional: Qual é a essência ou natureza da verdade? A essência ou natureza de uma coisa X é tradicionalmente concebida como o conjunto das condições necessárias e suficientes para que algo seja X, ou seja, como o conjunto das características que todos os Xs possuem e apenas os Xs possuem (A metafísica é tradicionalmente concebida como a disciplina filosófica que estuda a essência das coisas e determina que tipos de coisas existem (ontologia).

Pergunta epistemológica: Como podemos conhecer a verdade? O conhecimento é concebido tradicionalmente como crença verdadeira justificada. Sendo assim, a pergunta epistemológica pode ser formulada assim: como podemos ter crenças verdadeiras justificadas? (A epistemologia é tradicionalmente concebida como a disciplina filosófica que estuda a essência e possibilidade do conhecimento.)

Pergunta Semântica: Qual é o significado da palavra "verdade"? A explicação do significado de uma palavra é geralmente denominada "definição", num sentido amplo. Nesse sentido amplo, a pergunta semântica pode ser reformulada assim: Qual é a definição da palavra "verdade"? Mas há uma pergunta mais geral: qual é a função da palavra "verdade"? (A semântica é tradicionalmente concebida como a parte da filosofia da linguagem que estuda o significado, ou, como algumas vezes é dito, a relação entre as expressões linguísticas e aquilo que elas significam. Mas essa última formulação pode levar a mal-entendidos.)

Há controvérsia sobre qual é a relação entre essas perguntas. Por exemplo: a pergunta metafísica e a pergunta epistemológica não são a mesma pergunta? A resposta a essa questão depende muito de como entendemos (como explicamos o significado de) "significado", algo que também é matéria de controvérsia (W. V. Quine, p. ex., acredita que essa palavra, bem como todas as noções intencionais, não tem utilidade teórica). Se o significado de "verdade" é completamente determinado pelos critérios nos quais nos baseamos para usar essa palavra e a essência da verdade é independente desses critérios, ou seja, se podemos usar a palavra "verdade" e ignorar, ao menos parcialmente, sua essência, então uma análise do significado da palavra "verdade" não fornecerá necessariamente conhecimento sobre a essência da verdade. Além disso, alguns filósofos pensam que a resposta correcta à pergunta semântica implica uma dissolução da pergunta metafísica (cf. teoria da verdade como redundância em "Deflacionismo"). Se a essência do conhecimento é constituída parcialmente pela verdade (conhecimento = crença verdadeira justificada), então isso mostra que verdade e conhecimento não podem ser a mesma coisa. Não obstante, alguns filósofos tentaram reduzir a verdade total ou parcialmente ao conhecimento e outros deram a mesma resposta à pergunta metafísica e à pergunta epistemológica. Seja como for, uma resposta à pergunta epistemológica depende de uma resposta à pergunta metafísica. Por outro lado, as respostas à pergunta semântica têm relevância filosófica na medida em que determinam em alguma medida a resposta à pergunta metafísica. Por isso, o restante desse verbete se concentra na pergunta metafísica. Normalmente é assim que os verbetes sobre a verdade se estruturam. Eles apresentam teorias da verdade, ou seja, teorias sobre a essência da verdade.

Dois usos de "verdadeiro"

Antes da apresentação das principais teorias da verdade, convém chamar atenção para uma distinção importante entre dois usos de "verdadeiro".

Uso objectual

Algumas vezes atribuímos verdade a objectos materiais, como quando dizemos "isso é ouro verdadeiro". Mas há uma distinção essencial entre esse uso do predicado "é verdadeiro" e o uso em que atribuímos (ao menos aparentemente) a verdade a coisas que dizemos (ou pensamos, ou cremos, etc). Ouro falso não é um tipo de ouro. Ouro falso é um metal que parece ouro, mas não é. Ouro verdadeiro é um metal que não apenas parece ouro, mas é ouro. Nesse uso, "verdadeiro" é sinónimo de "genuíno".

Uso semântico Uma frase (ou enunciado, ou pensamento, ou crença, etc.) falsa não deixa de ser uma frase por ser falsa. (O problema dos enunciados falsos do Sofista de Platão surge justamente porque um certo argumento de Parménides conclui que não pode haver enunciados falsos, que um enunciado falso, tal como o ouro falso, não é um tipo de enunciado.) Nesse uso, de "verdadeiro" não é sinónimo de "genuíno". Há relações sistemáticas entre o uso objectual e o semântico de "verdadeiro". Eles podem aparecer na mesma frase. Por exemplo: "A frase 'Esse pedaço de metal é ouro verdadeiro' é verdadeira". Mas, quando se fala de teorias da verdade nesse verbete, é o uso semântico que está em questão.

Portadores de verdade

Um portador de verdade é o que quer que se possa dizer verdadeiramente que é verdadeiro. Há muita controvérsia sobre a natureza dos portadores de verdade. Alguns acreditam que apenas um ou alguns dos candidatos a portadores de verdade são portadores de verdade genuínos ou primitivos enquanto outros não o são ou o são apenas derivadamente. Mas há quem ache essa controvérsia inútil, na medida em que qualquer coisa poderia ser portador de verdade. Os principais candidatos são: frases individuais (em inglês "token sentences"), tipos de frases (em inglês "type sentences"), enunciados, proposições ou pensamentos e crenças. Nem sempre é clara a distinção entre esses candidatos e, muitas vezes o mesmo candidato recebe diferentes nomes de diferentes filósofos. Mas, em geral, reconhece-se a diferença entre uma frase, que é um objecto físico, e aquilo que dizemos ao usar uma frase, o conteúdo da frase. As frases individuais "Está chovendo" e "It is raining", p.ex., dizem a mesma coisa. De modo mais geral ainda, se reconhece a diferença entre uma frase e o acto linguístico realizado ao usá-la. Uma frase da forma gramatical interrogativa, p. ex., pode ser usada tanto para fazer uma pergunta quanto para fazer um pedido ("Você não quer abrir a porta?"). A maneira correcta de caracterizar esse acto linguístico no caso das atribuições de verdade (frases da forma " 'p' é verdadeira") é matéria de controvérsia. Também geralmente se reconhece a diferença entre uma crença e a sua expressão linguística. Uma crença é geralmente concebida como uma entidade mental, que pode ocorrer na mente de animais que não possuem linguagem. Para evitar essas controvérsias sobre portadores de verdade, no que se segue se falará apenas de portadores de verdade, sem especificar a sua natureza.

Teorias metafísicas da verdade

Há quatro grupos principais de respostas à pergunta metafísica: teorias correspondentistas, teorias coerentistas, teorias pragmatistas e teorias deflacionárias.

Teorias correspondentistas

Teorias da verdade desse grupo são as mais aceites, entre outras coisas por causa do seu carácter intuitivo. A nossas intuições pré-filosóficas sobre a verdade geralmente nos inclinam a explicar a verdade em termos de correspondência (como podemos ver nas definições de "verdade" da maioria dos dicionários). Segundo as teorias correspondentistas, a verdade é uma relação (ou propriedade relacional) entre dois tipos de entidades: um portador de verdade e um gerador de verdade, isto é, aquilo que torna esse portador verdadeiro (em inglês "truth maker"). O gerador de verdade é algumas vezes denominado estado de coisas, ou facto. A teoria diz que o portador de verdade f expressa ou representa o gerador de verdade p (f diz que p) e que o portador é verdadeiro quando o gerador de verdade ocorre ou é actual. Mais formalmente: (f)(f é verdadeiro se, e somente se, f diz que p e p) Há dois tipos de teorias da correspondência: correspondência como congruência e correspondência como correlação. A correspondência como congruência exige que os elementos do gerador de verdade e do portador de verdade estejam estruturados de maneira análoga. (Ludwig Wittgenstein, no Tractatus Logico-Philosophicus e Bertrand Russell). A teoria da correspondência como correlação não exige esse isomorfismo (John Langshaw Austin). Geralmente considera-se Aristóteles como um defensor de uma teoria da verdade como correspondência. Ele diz na Metafísica que "Dizer do que é que é e do que não é que não é é dizer a verdade e dizer do que é que não é e do que não é que é é dizer algo falso". Mas há quem diga que essa passagem pode ser interpretada como a expressão de uma teoria deflaccionária da verdade. Alguns acreditam que toda a teoria correspondentista da verdade é uma teoria realista da verdade. Isso depende de como definimos "realismo" nesse contexto. Se uma teoria realista da verdade é aquela que concebe os geradores de verdade (os estados de coisas ou fatos) como entidades independentes da nossa mente, então parece que poderia haver uma teoria correspondentista não-realista da verdade, isto é uma teoria que concebe os geradores de verdade como dependentes da nossa mente. Mas "independente da mente" é uma expressão ambígua. Algo pode ser independente da nossa mente quanto à existência ou quanto aos nossos estados intensionais (pensamento, crença ou conhecimento). Algo pode ser concebido como independente dos nossos estados intensionais, mas não independente da existência da nossa mente (ou de alguma mente). Se uma teoria realista da verdade exige apenas que os geradores de verdade sejam independentes dos nossos estados intensionais, então uma teoria da correspondência que concebesse os geradores de verdade como dependentes da existência da nossa mente (ou de alguma mente) seria realista. Não se deve confundir a definição correspondentista de "verdade" e o que Alfred Tarski chama de “esquema T”: (T) "p" é verdadeira se, e somente se, p Acreditar que as instâncias desse esquema (ou seja, os portadores de verdade que têm essa forma) são verdadeiras não implica aceitar a teoria correspondentista da verdade. Dizer que " 'p' é verdadeira" equivale a "p" não é o mesmo que dizer que "p" é verdadeira porque p. Enquanto a equivalência é uma relação simétrica, a relação expressa por "porque" não é. Em outras palavras: dizer " 'p' é verdadeira se, e somente se, p" e "p se, e somente se,'p' verdadeira" é dizer a mesma coisa, mas dizer " 'p' é verdadeira porque p" não é o mesmo que dizer "p porque 'p' é verdadeira", salvo se quisermos negar que possa ocorrer fatos (geradores de verdade) aos quais não corresponde nenhum portador de verdade. Parece intuitivo supor que há estados de coisas ou fatos que não são representados por nenhum portador de verdade. A chamada concepção semântica da verdade de Alfred Tarski é apresentada por ele como uma versão da teoria da verdade como correspondência. Mas há quem discorde disso e a veja como precursora do deflacionismo. Uma das motivações da teoria de Tarski era evitar que o paradoxo do mentiroso fosse formulado em uma linguagem que estivesse de acordo com a concepção semântica da verdade. Em tal linguagem o predicado "é verdadeiro" nunca é usado para atribuir verdade aos portadores de verdade da própria linguagem (metalinguagem), mas apenas aos portadores de verdade de uma linguagem objecto. Segundo Tarski a linguagem ordinária permite a formulação do paradoxo do mentiroso porque nela o predicado "é verdadeiro" atribui verdade aos portadores de verdade da própria linguagem ordinária.

Teorias coerentistas

Segundo as teorias coerentistas da verdade, a verdade é uma relação (ou propriedade relacional) não entre os portadores de verdade e os geradores de verdade, mas entre os próprios geradores de verdade. A teoria diz que um portador de verdade é verdadeiro se faz parte de um conjunto coerente de portadores de verdade. A coerência é geralmente definida (quando é) do seguinte modo: um conjunto de portadores de verdade é coerente quando nenhum contradiz o outro e quando qualquer subconjunto desse conjunto implica os demais portadores de verdade do conjunto. Mas não poderia haver dois conjuntos internamente coerentes de portadores de verdade de tal forma que um contradissesse o outro? Qual dos dois então teria portadores de verdade verdadeiros? É para evitar essa dificuldade que se costuma complementar a definição coerentista de verdade do seguinte modo: um portador de verdade é verdadeiro quando faz parte de um conjunto coerente de crenças que descreve completamente o mundo. Um romance de ficção, por exemplo, não atende a essa última exigência, apesar de ser internamente coerente. Mais formalmente: (f)(f é verdadeiro se, e somente se, f faz parte de um conjunto coerente de portadores de verdade que descreve completamente o mundo)

Teorias pragmatistas

Não é muito claro se, de acordo com as teorias pragmatistas da verdade, a verdade é uma propriedade que os portadores de verdade possuem independentemente das relações que mantêm entre si ou com geradores de verdade. A teoria diz que um portador de verdade é verdadeiro quando a crença na sua verdade é útil. Geralmente se acrescenta que essa utilidade deve ser medida a longo prazo. Uma crença imediatamente útil pode mostrar-se um obstáculo para a acção a longo prazo. A utilidade em questão é referente principalmente às acções de lidar com objectos no mundo, comunicar-se, prever e explicar acontecimentos. Mais formalmente: (f) (fé verdadeiro se, e somente se, a crença que f é verdadeiro é útil a longo prazo)

Teorias deflacionárias

Segundo as teorias deflacionárias da verdade, a verdade não é uma propriedade substancial, cuja natureza esteja oculta à espera de uma descoberta. Essa tese é sustentada através de uma análise da função do predicado "é verdadeiro". A função desse predicado é trivial e pode ser completamente explicada por meio do esquema T. (Mas aceitar que as instâncias do esquema T são verdadeiras não é o mesmo que aceitar o deflacionismo, ou seja, que a função do predicado "é verdadeiro" pode ser completamente explicada por meio do esquema T.) Para os deflacionistas, as teorias tradicionais da verdade estão todas equivocadas justamente porque supõem que a verdade é uma propriedade substancial cuja natureza oculta deve ser exibida por uma teoria. Há dois tipos de teorias deflacionárias da verdade: a teoria da verdade como redundância e o minimalismo. De acordo com a teoria da verdade como redundância (geralmente atribuída a Frank P. Ramsey e às vezes chamada de teoria descitacional da verdade [em inglês disquotational theory of truth]), o esquema T é uma equivalência intencional, ou seja, uma sinonímia de acordo com a qual "'p' é verdadeira" significa o mesmo que "p" e, por isso, "é verdadeira" é redundante. Para o teórico da redundância, a verdade não é uma propriedade substancial porque não é propriedade nenhuma. A expressão "é verdadeira" é um pseudo-predicado que não denota nenhuma propriedade. Com base nisso o teórico da verdade como redundância sustenta que o predicado "é verdadeiro" é eliminável da linguagem sem perda de capacidade expressiva. Isso significa que poderíamos dizer tudo o que dizemos usando esse predicado sem usá-lo. De acordo com o minimalismo (defendido por Paul Horwich), o esquema T é uma equivalência essencial (extensional necessária), mas não intencional. O minimalista acredita que o predicado "é verdadeiro" não é eliminável da linguagem sem perda de capacidade expressiva. Segundo o minimalista, o predicado "é verdadeira" é um predicado genuíno que denota uma propriedade genuína, não uma propriedade substancial, mas uma propriedade lógica. (O minimalista tem uma concepção minimalista de predicado e propriedade.) Segundo o minimalismo, o conceito de verdade é neutro com relação à controvérsia entre realistas e anti-realistas.

Depois de toda esta maçadora e extenuante apresentação (que me perdoará) e não querendo armar-me naquilo que não sou - filósofo -, mas apenas me valendo do pensar de muitos deles, por vezes antagónicos, serve tudo isto para duas coisas essenciais:

1º Mostrar que a Verdade está afinal dentro de cada um de nós, podendo diferir em certos aspectos e especificidades;

2º Provar que a interpretação que o Amigo N... fez das minhas palavras (entendidas na subjectividade da própria reprodução parcial do meu discurso) são por mim tidas como importantes e ajudam a pensar, reflectir, interagir. O que, no essencial, é o princípio e o fim de todas as teorias filosóficas.

Assim sendo, creio que me perdoará, e ao mesmo tempo sinto que lhe prestei, caríssimo N..., a Justiça que as suas palavras me merecem.

E isto é uma “Verdade” insofismável! Ou não será? :-)

Grande abraço.

Fernando

publicado por Fernando Sá Monteiro às 20:36

16
Jan 13
http://www.tvi24.iol.pt/foto/13783903

 

É admirável o conteúdo de TODA esta entrevista do Prof. Doutor Diogo Freitas do Amaral. Fiquei siderado (confesso) pelo rigor, a frontalidade, a coragem e a sensibilidade do político, do professor, do humanista, enfim do ser humano que demonstrou ser. E a lucidez da sua visão do Portugal de hoje é absolutamente espantosa.

Lamento, todos deveremos lamentar, que esta importante entrevista tenha sido relegada para uma hora tardia (intencional?), às 23 horas, enquanto se continua a assistir a hora nobre a personalidades que já nada adiantam ao que está dito à saciedade. Continuar a ouvir Marcelo Rebelo de Sousa (no seu cínico e diabólico jogo duplo), ou de Medina Carreira (que já nada acrescenta e até se torna maçador, por não trazer nenhum elemento novo ou sequer novos caminhos a percorrer) apenas serve para manter esta paz podre e mastigada que nos prende como meninos bem comportados. É chegada a hora de mostrarmos que somos capazes de tomar o nosso destino nas mãos e correr à vassourada com esta cambada de incompetentes que cada dia nos roubam mais, sem resultados minimamente positivos.

E permito-me afirmar que me sinto à vontade para o afirmar deste modo, pois que nunca fui politicamente muito apoiante a Freitas do Amaral. Mas é salutar admitirmos, quando isso se justifica, a nossa mudança de opinião, senão mesmo a nossa capacidade para sinceramente abraçar alguém que, pela coragem e desassombro, aliadas a uma enorme capacidade de análise política, social e económica, demonstra uma lucidez impressionante.

Freitas do Amaral brindou-nos e brindou-me com a verdadeira face de um Democrata Cristão. Isso é tanto mais saudável e brilhante quanto se distancia enormemente quer de um CDS/PP pura e duramente virado para o liberalismo mais arrepiante, e um PSD incapaz de regressar às suas origens ideológicas e navegando ao sabor dos interesses financeiros e seguindo à risca (como Freitas do Amaral tão sabiamente salientou) a ideologia da Goldman Sachs e seus apaniguados. Aqui chegado, somente posso e consigo vislumbrar mais um comentário à entrevista: Bem haja, Prof. Doutor Freitas do Amaral, em nome de milhões de portugueses diariamente expoliados e vexados na sua dignidade!

publicado por Fernando Sá Monteiro às 12:51

09
Jan 13





"Talvez não tenhamos conseguido fazer o melhor, mas lutamos para que o melhor fosse feito, não somos o que deveríamos ser, não somos o que iremos ser, mas graças a Deus não somos o que éramos."

(Martin Luther King)

"Eu nunca serei político. Eu sou revolucionário porque não há verdadeiro poeta que não seja revolucionário."

(Federico García Lorca)

"Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um revolucionário."

(Ernesto Che Guevara)

"Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros."

(Ernesto Che Guevara)

"Devo dizer, correndo o risco de parecer ridículo, que o verdadeiro revolucionário é movido por sentimento de amor."

(Ernesto Che Guevara)


É o Homem, nas suas Grandezas e Misérias, que faz este Mundo.

O que se impõe mesmo, é que esse mesmo Homem, o que é capaz de mover montanhas, o que tem a força das "marés acordadas", o que alimenta a capacidade da Mudança, se retire do seu comodismo covarde, da sua inquietante "madorra" de observador e se transforme no motor da Revolução que se mostra inultrapassável, hoje como em outros momentos fulcrais da História dos Povos.

Aí sim teremos o Homem Novo.

E não nos iludamos, a História do Homem é mesmo esta, composta de uma multidão de anónimos, a maioria deles meros espectadores do que se passa à sua volta, mesmo quando lhe acossam os direitos mais elementares; e há somente alguns, os eleitos, os "tenebrosos" revolucionários, os que não se conseguem alimentar num rebanho de indiferentes, os que não permitem que as suas forças e ideais se mantenham numa apatia sonolenta e colaboracionista e se deixam libertar com um grito de revolta. São estes os que constituem a Mudança.

E como Martin Luther King, eles vão aparecendo de quando em vez, de onde menos se espera, dessa neblina que muitas vezes encobre a Grandeza do Homem, e vêm confirmar que, na verdade, o Homem é um Ser de Excepção, capaz de fazer do Mundo um lugar mais promissor.

Deste caminhar comum, poderá nascer, deverá nascer, uma sociedade nova, onde o cidadão seja valorizado pelo que sonha e constrói, pela sua solidariedade para com os mais desprotegidos, pela sua capacidade para derrubar todas as fronteiras do medo e das injustiças que nos envergonham.

"Hay que endurecer-se. Pero sin perder la ternura jamás." (Ernesto Che Guevara)

Fernando de Sá Monteiro

publicado por Fernando Sá Monteiro às 15:23

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